QUIZÁS FUE ASÍ
TALVEZ TENHA SIDO ASSIM Um pacote enorme me esperava na porta. Era uma caixa de papelão com fitas adesivas amarelas, sem endereço de remetente, somente o meu, com um cartão pregado na parte de cima, escrito com uma letra que eu não reconheci e uma cor de caneta que podia ter sido azul, mas agora era roxa. Com o pé, coloquei-a para dentro. O cheiro era de coisa úmida. Fiquei olhando para a caixa. Não parecia ser um livro, talvez fosse um chapéu, revistas, quem sabe. Pensei nos copos de cristal de minha mãe e no jogo de talheres de prata. O relógio cuco do meu pai poderia caber na caixa, mas também os álbuns de fotos ficariam bem organizados lá dentro. Resolvi abrir o cartão. Na frente, meu nome escrito com z . (Todos da família sabiam que era com s). Atrás, somente um rabisco. Dentro, não dizia nada. Rasguei as fitas amarelas com um estilete mal afiado, abri as abas, desmontando a caixa e ali estava: um gato morto, com pelos caramelos e traços pretos. Emb...